O setor de eventos desempenha um papel vital na economia global, reunindo cultura, entretenimento, negócios e turismo em uma cadeia interligada de valor.
Importância macroeconômica do setor de eventos
Os eventos englobam desde festivais culturais até grandes conferências corporativas e jogos esportivos, movendo recursos e pessoas em escala mundial. A cadeia direta (core) e indireta (hub) cria empregos e estimula investimentos em múltiplos segmentos.
Organismos como o Fundo Monetário Internacional destacam o setor de turismo e eventos como peça-chave para a recuperação econômica, ao impulsionar o consumo e fortalecer balanças de pagamento.
Papel do turismo na economia com foco em Portugal
Em Portugal, o turismo correspondeu a 19,1% da riqueza produzida em recente medição, posicionando o país em 5.º lugar mundial no peso do setor sobre o PIB. A média da União Europeia é de 10,1%, mostrando o destaque lusitano.
Além disso, Portugal gerou 28 mil milhões de euros em exportações de turismo em 2024, ocupando a 5.ª posição em valor absoluto na UE e subindo para 4.º lugar quando se considera o peso dessas receitas no PIB.
Entre 2010 e 2024, Portugal liderou a UE no maior aumento das exportações de turismo em pontos percentuais do PIB, com acréscimo de 5,5 p.p.
Impacto da pandemia de Covid-19 no setor de eventos
A crise sanitária provocou perdas sem precedentes no Brasil e no resto do mundo. No Brasil, revelou-se uma queda de 40% na receita acumulada para as atividades contempladas pelo PERSE.
- 1 em cada 5 empregos formais no setor foi perdido.
- Enquanto a economia geral cresceu 7,1% em receita, o segmento de eventos sofreu retração de 40%.
- 1 em cada 2 postos de trabalho eliminados no auge da crise estava ligado a eventos, turismo ou cultura.
Apesar do retorno gradual dos encontros presenciais, muitas empresas ainda enfrentam desafios de fluxo de caixa e solvência.
Dados do Banco Central indicam que os ativos problemáticos começaram a recuar apenas em 2024, sinalizando uma recuperação financeira lenta mesmo com público presente.
O Programa PERSE e seu impacto no Brasil
Para mitigar a crise, o governo brasileiro criou o PERSE (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos) em maio de 2021. Esse foi o primeiro programa federal direcionado exclusivamente a um setor econômico.
O PERSE estruturou-se em cinco eixos principais:
- Refinanciamento de dívidas antigas do setor;
- Linhas de crédito para sobrevivência das empresas;
- Desoneração fiscal e benefícios tributários;
- Mecanismos para a manutenção de empregos;
- Regras claras para adiamento e cancelamento de atividades.
Segundo entidades como ABRAPE e ABEOC, o PERSE foi fundamental para evitar o colapso completo do setor ao oferecer segurança jurídica e econômica.
Porém, o fim das medidas sem substitutos deixou muitas empresas vulneráveis diante de dívidas ainda por pagar e receita insuficiente para retomar investimentos.
Perspectivas de recuperação e estratégias para o futuro
A retomada consolidada dos eventos depende de decisões coordenadas entre governo, setor privado e entidades representativas. Para superar os desafios atuais, é essencial:
- Estabelecer programas de crédito de longo prazo com juros acessíveis.
- Desenvolver políticas culturais e turísticas integradas, fomentando novos roteiros e experiências.
- Investir em tecnologia e inovação para eventos híbridos, ampliando alcance e segurança.
- Fortalecer a capacitação de profissionais em gestão e produção de eventos.
Um ambiente regulatório estável e planos de marketing à altura do potencial do Brasil e de Portugal podem atrair mais visitantes e investidores.
As projeções do governo português, que espera alcançar 20% do PIB com turismo até 2033, mostram como metas ambiciosas podem direcionar esforços e consolidar o setor.
Em síntese, a economia dos eventos é um propulsor significativo de emprego, receitas e intercâmbio cultural. Com parcerias estratégicas e políticas de longo prazo, é possível não apenas recuperar as perdas, mas elevar o setor a novos patamares de produtividade e relevância global.
Referências
- https://platobr.com.br/depois-da-pandemia-sinais-de-recuperacao-em-eventos
- https://www.mercadoeeventos.com.br/noticias/agencias-e-operadoras/setor-de-eventos-supera-a-media-do-pib-nacional-reforcando-seu-papel-estrategico-na-economia/
- https://www.abrape.com.br/setor-de-eventos-segue-em-recuperacao-e-consumo-de-recreacao-bate-recordes-no-pais/
- https://eco.sapo.pt/2026/01/19/portugal-e-o-4-o-pais-da-uniao-europeia-em-que-o-turismo-mais-pesa-na-economia/
- https://cnseg.org.br/noticias/eventos-em-paises-centrais-continuam-a-impactar-economia-global
- https://www.sgeconomia.gov.pt/noticias/portugal-e-o-5-pais-com-mais-forte-contributo-do-turismo-para-o-pib.aspx
- https://www.mercadoeeventos.com.br/noticias/destinos/fmi-coloca-turismo-como-peca-chave-para-recuperacao-economica-global/
- https://www.bportugal.pt/napp_wrapper/228251
- https://abeoc.org.br/2025/07/08/setor-de-eventos-ainda-sente-reflexos-da-pandemia/
- https://pontosdevista.pt/2024/07/03/governo-portugues-preve-que-turismo-alcance-20-do-pib-em-2033/
- https://www.transamericaexpo.com.br/o-poder-dos-eventos-entenda-o-impacto-economico-e-a-geracao/
- https://www.jornaldenegocios.pt/economia/ambiente/detalhe/eventos-extremos-podera-haver-investimento-em-infraestruturas-criticas-justificavel-ao-abrigo-dos-5-do-pib-em-defesa
- https://www.youtube.com/watch?v=redRCinOiyY







