Ações de Crescimento vs. Ações de Valor: Qual Estratégia Adotar?

Ações de Crescimento vs. Ações de Valor: Qual Estratégia Adotar?

Decidir entre ações de crescimento e ações de valor pode transformar totalmente a performance de uma carteira de investimentos. Entender as características de cada abordagem é essencial para alinhar decisões ao seu perfil e aos ciclos econômicos.

Conceitos Fundamentais

O Value Investing surgiu com Benjamin Graham e David Dodd e tem como base a busca ações negociadas abaixo de seu valor intrínseco. Investidores analisam múltiplos baixos (P/L, P/VP) e margem de segurança mínima de cerca de 33%. O foco recai sobre empresas sólidas, com histórico de pagamento de dividendos e menor volatilidade ao longo do tempo.

Já o Growth Investing concentra-se em empresas com forte potencial de expansão, geralmente startups ou companhias em setores de tecnologia e e-commerce. Essas ações não costumam distribuir dividendos, pois reinvestem lucros para alimentar o crescimento. O apelo reside no potencial significativo de valorização acelerada, mas acompanha risco elevado e oscilações mais bruscas.

Vantagens e Desvantagens

Para facilitar a comparação, veja esta tabela resumida:

Além da tabela, veja os principais pontos:

  • rentabilidade estável no longo prazo, menor necessidade de acompanhamento diário.
  • potencial de valorização acelerada e acima da média em prazos curtos.
  • exige disciplina e paciência, conhecimento financeiro aprofundado.
  • alta volatilidade e possibilidade de perda total em ambientes instáveis.

Contexto Econômico e Ciclos de Mercado

Os ciclos econômicos influenciam diretamente o desempenho de cada estratégia. Em fases de expansão e juros baixos, empresas de crescimento conseguem financiamento barato e aceleram sua expansão, superando o mercado geral. Já em períodos de alta de juros e desaceleração, ações de valor tendem a se destacar pela resiliência de negócios consolidados e fluxo de caixa mais previsível.

Estudos após a crise de 2008 demonstraram que, ao longo de recessões, carteiras orientadas ao valor sofreram menos e recuperaram-se mais rápido quando comparadas às estratégias growth.

Indicadores e Múltiplos Relevantes

Para avaliar ações de valor, foque nos seguintes indicadores:

- Price/Earnings (P/L) abaixo da média histórica. - Price/Book (P/VP) reduzido em relação a pares de setor. - Dividend Yield elevado e consistente.

Para identificar ações de crescimento, observe:

- Taxa de crescimento de receitas anual acima de 20%. - Aumento contínuo no Retorno sobre o Capital Investido (ROIC). - Múltiplos esticados de EV/Ebitda ou P/L, justificáveis pelo potencial futuro.

Exemplos de Empresas

No Brasil, entre as ações de valor destacam-se Itaú, Banco do Brasil e Ambev, empresas com histórico robusto de lucros e distribuição de dividendos. Já em Growth Investing, Mercado Livre e Locaweb ilustram negócios em rápida expansão, aproveitando o aumento do comércio eletrônico.

No mercado norte-americano, nomes como Johnson & Johnson e Coca-Cola representam paradigmas de value, contrastando com gigantes como Amazon, Tesla e Google, ícones do crescimento tecnológico.

Perfil do Investidor

A compatibilidade entre perfil e estratégia é determinante. O investidor voltado a valor costuma buscar segurança e previsibilidade, aceitando retornos mais modestos e esperando pacientemente pela realização do valor intrínseco. Já quem opta por growth tem alta tolerância a risco e está disposto a lidar com volatilidade intensa para conquistar ganhos expressivos em períodos mais curtos.

Reconhecer seu próprio apetite por risco e seu horizonte de investimento evita decisões precipitadas e desalinhadas às suas necessidades financeiras.

Estratégias de Alocação e Diversificação

Para equilibrar risco e retorno, considere mesclar ambas as estratégias em proporções que refletem seu perfil:

  • Determine alocação entre valor e crescimento conforme tolerância a risco e horizonte.
  • Considere ETFs temáticos, como IVVB11 para growth e BOVA para value.
  • Rebalanceie carteira periodicamente para manter proporções desejadas.
  • diversificação entre diferentes setores e regiões para reduzir riscos.

Tendências Recentes de Mercado

A pandemia de COVID-19 acelerou a vantagem de ações de tecnologia e e-commerce, com altas expressivas nos portfólios growth. No entanto, a elevação dos juros em 2022 e 2023 reacendeu o interesse em value, com empresas tradicionais recuperando valor e oferecendo dividendos mais atraentes.

Estar atento às mudanças de ciclo econômico e ajustar posições conforme novas realidades é fundamental para manter a carteira alinhada a oportunidades emergentes.

Riscos e Considerações Finais

Nem toda ação barata é um bom investimento: problemas de governança, endividamento excessivo ou mudanças setoriais podem prejudicar o valor intrínseco esperado. Da mesma forma, empresas de crescimento podem não cumprir projeções, levando a quedas drásticas em seus preços.

A avaliação constante de fundamentos, gerenciamento de risco e alinhamento ao perfil pessoal são pilares para escolher entre ações de crescimento e valor. Mais do que seguir modismos, adotar uma estratégia bem fundamentada aumenta as chances de sucesso no longo prazo.

Lincoln Marques

Sobre o Autor: Lincoln Marques

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