Em 2024 e 2025, o Brasil enfrentou desafios e oportunidades únicas ao implementar políticas fiscais e monetárias coordenadas para garantir crescimento sustentável e controle da inflação.
Contexto Macroeconômico 2024-2025
O período recente foi marcado por crescimento econômico robusto em 2024, com o PIB avançando 3,4%, seguido de uma previsão de desaceleração para 2,3% em 2025. Ao mesmo tempo, a inflação deverá terminar o ano de 2025 em torno de 5,2%, ainda acima da meta de 3%, mas caminhando para convergência até 2027.
Outro ponto importante foi o déficit em conta corrente, que alcançou 2,8% do PIB em 2024, influenciado pelo forte consumo interno e pelo aumento das importações atrelado à recuperação da atividade econômica no país.
- PIB de 3,4% em 2024 e projeção de 2,3% para 2025
- Inflação de 5,2% em 2025, com meta em 3%
- Déficit em conta corrente de 2,8% do PIB em 2024
Detalhes da Política Fiscal em 2025
Em 2025, o impulso fiscal foi inicialmente contracionista com ajuste estrutural de -1,5% do PIB até junho. A partir de julho, passou a neutro e deverá ser expansionista no final do ano, visando estimular a economia sem perder o controle das contas públicas.
Vários fatores explicam esse comportamento:
- Atraso na aprovação do orçamento, com limites de desembolso de 1/18 avos no primeiro trimestre
- Concentração de pagamentos de precatórios em julho, pressionando o caixa
- Arrecadação excepcional no primeiro semestre, seguida de queda real a partir de agosto
- Retomada do desembolso de emendas parlamentares após a aprovação do orçamento
Até maio, o superávit fiscal acumulado chegou a R$ 55 bilhões, mais que o dobro do registrado em 2024. Ao mesmo tempo, houve contingenciamento de aproximadamente R$ 31 bilhões em despesas.
Em relação aos ajustes tributários, destacam-se:
- Alterações no IOF sobre crédito, câmbio e seguros (Decreto 12.466/2025)
- Nova taxação de 5% em aportes mensais acima de R$ 50 mil em planos VGBL
- Proposta da Medida Provisória 1303/2025 para tributação padronizada de aplicações financeiras, criptoativos e fundos
Apesar dos avanços, especialistas ressaltam a necessidade de reformas mais profundas para assegurar sustentabilidade de médio e longo prazo, evitando medidas episódicas que podem postergar problemas estruturais.
Medidas de Política Monetária no Período
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa SELIC em 15,00% ao ano, sinalizando uma postura contracionista e prolongada para conter projeções inflacionárias e expectativas desancoradas.
Essa taxa elevada visa cumprir a regime de metas de inflação de 3%, mas traz efeitos colaterais como a moderação do ritmo de expansão do crédito e do consumo.
Os principais motivos para essa postura incluem:
- Pressões inflacionárias persistentes, mesmo após ciclos de aperto
- Mercado de trabalho ainda aquecido
- Incertezas globais, como disputas comerciais e flutuações de commodities
Analistas indicam que o relaxamento só ocorrerá após a ancoragem estrutural das expectativas e o fortalecimento do compromisso fiscal, garantindo ambiente propício a investimentos.
Interdependência e Harmonização de Políticas
O governo federal tem enfatizado a importância do alinhamento entre política fiscal e monetária para reduzir volatilidade e estimular investimentos de longo prazo.
Medidas como o ajuste no IOF têm sido adotadas para oferecer suporte ao Banco Central na convergência da inflação, demonstrando um esforço coordenado entre ministérios e autarquias.
Reformas Estruturais e Perspectivas Futuras
Para 2025-2026, estão previstas:
- Implementação da reforma do IVA e modernização do sistema tributário
- Fortalecimento da responsabilidade fiscal com metas mais rígidas
- Marcos legais para financiamento de longo prazo e sustentabilidade ambiental
Espera-se que a reforma do IVA e sistema tributário aumente a eficiência, a competitividade e a atração de investidores estrangeiros, gerando efeitos positivos sobre o crescimento de médio prazo.
Contudo, desafios persistem, como o crescimento de despesas obrigatórias (previdência) e o nível elevado da dívida pública. Para superá-los, é fundamental a implementação de reformas consistentes e a manutenção de compromisso fiscal firme ao longo dos próximos anos.
Conclusão e Perspectivas
O cenário brasileiro de 2024-2025 ilustra a complexidade de conduzir políticas fiscais e monetárias em sincronia, buscando equilíbrio entre crescimento e controle inflacionário.
Embora haja avanços notáveis em termos de superávit fiscal e manutenção da SELIC em patamar elevado, a sustentabilidade de longo prazo exige reformas estruturais profundas e continuidade no ajuste das contas públicas.
Somente com coordenação eficaz de políticas econômicas e implementação de medidas de modernização será possível garantir um futuro de estabilidade e prosperidade para o Brasil.
Referências
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/economia-tem-expansionismo-fiscal-no-2o-semestre-aponta-estudo/
- https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2025/Maio/equipe-economica-divulga-contingenciamento-bloqueio-e-medida-para-ajuste-fiscal
- https://www.congressonacional.leg.br/materias/medidas-provisorias/-/mpv/169059
- https://www.imf.org/pt/News/Articles/2025/06/03/pr-25174-brazil-imf-completes-2025-art-iv-visit
- https://clp.org.br/as-25-medidas-prioritarias-do-governo-para-2025-e-2026/
- https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2025/outubro/prisma-fiscal-revela-melhora-para-resultado-primario-arrecadacao-e-evolucao-da-divida-do-governo-central
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/em-carta-ao-fmi-haddad-defende-revisao-fiscal-e-fim-de-medidas-unilaterais/
- https://www.infomoney.com.br/economia/fmi-melhora-projecao-para-economia-do-brasil-em-2025-mas-ve-desaceleracao-em-2026/
- https://www12.senado.leg.br/ifi/publicacoes-1/relatorio/2025/maio/relatorio-de-acompanhamento-fiscal-maio-2025
- https://transformaeconomia.org/politica-fiscal-politica-monetaria-e-o-crescimento-economico/
- https://www.ipea.gov.br/cartadeconjuntura/index.php/tag/politica-monetaria/
- https://www.youtube.com/watch?v=pFUBICbB9FA







