Investimento Sustentável: Lucro com Propósito Social

Investimento Sustentável: Lucro com Propósito Social

No coração da economia brasileira de 2025, observa-se uma transformação profunda: investidores, empresas e governos buscam alinhar objetivos financeiros com causas ambientais e sociais. Com o Brasil no centro das discussões na COP30 em Belém, emerge um cenário promissor para quem deseja gerar lucro sem abrir mão do compromisso com o planeta e a sociedade.

Este artigo apresenta um panorama detalhado do movimento global por investimentos sustentáveis e revela como o país pode se consolidar como líder em finanças verdes.

Entendendo o Investimento Sustentável

Investimento sustentável consiste na destinação de capital para projetos, empresas e ativos que promovem retorno financeiro aliado a benefícios ambientais, sociais e de governança (ESG). Aqui, não se trata apenas de lucro, mas de gerar valor em longo prazo por meio de práticas que respeitam o meio ambiente e fortalecem comunidades.

Esse conceito envolve a alocação de capital em negócios que promovem retornos financeiros alinhados ao propósito socioambiental e reflete uma mudança de mentalidade: de valorizar apenas dividendos, para valorizar também o legado deixado para as futuras gerações.

Crescimento e Impacto no Brasil em 2025

Em 2025, investidores direcionaram R$ 48,2 bilhões em projetos ambientais, um salto de 24,2% em relação ao ano anterior. Esse volume foi aplicado em áreas estratégicas, como energia limpa, reflorestamento e economia circular.

Os resultados falam por si: 11,1 milhões de hectares preservados ou restaurados, 23,5 mil GWh de energia limpa gerados, 4,3 bilhões de litros de biocombustíveis produzidos, 202,9 milhões de toneladas de resíduos reaproveitados e 36,8 bilhões de litros de água reutilizados. Além disso, essas iniciativas permitiram evitar 305,8 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.

O destaque nacional reforça o papel do Brasil como protagonista no combate às mudanças climáticas e na promoção de uma economia sustentável.

Fundos de Investimento Sustentável (IS) e ESG

Os fundos IS (Investimento Sustentável) registraram um crescimento acelerado em 2025: o patrimônio líquido atingiu R$ 36,8 bilhões em julho, alta de 48,4% em sete meses e de 89% em um ano. Quase 70 mil novas contas foram abertas no período, elevando o total de cotistas de 80,4 mil para 149,8 mil.

Os números mostram uma preferência crescente pelo segmento: as ações IS subiram 41% desde abril de 2022, comparadas a 21,9% da indústria tradicional. De fato, patrimônio líquido recorde de R$ 36,8 bilhões e a performance consistente conferem credibilidade a esses fundos.

Apesar da expressiva expansão, os fundos IS representam apenas 0,37% do patrimônio total da indústria nacional, o que indica grande espaço para crescimento e inovação.

Mercado de Dívida Sustentável e Títulos Verdes

O Brasil lidera a América Latina em emissão de dívida sustentável: US$ 67,8 bilhões até o primeiro semestre de 2025. Desse total, US$ 30 bilhões correspondem a títulos verdes, com o restante distribuído entre títulos sociais e de sustentabilidade.

Embora as emissões em dólar tenham caído 65% no mesmo período – reflexo de altos juros de 15% ao ano e instabilidade geopolítica –, o uso de instrumentos como blended finance e financiamentos multilaterais garante fluxo constante de recursos para iniciativas verdes.

Desafios e Oportunidades

Apesar dos avanços, o mercado brasileiro enfrenta entraves que exigem atenção e ação coordenada entre setor público e privado.

  • Baixa representatividade dos fundos sustentáveis no total de ativos.
  • Curva de aprendizado sobre critérios ESG e necessidade de fenômeno conhecido como greenwashing dentro do mercado.
  • Falta de uma taxonomia nacional clara para orientar gestores e investidores.
  • Atraso na implementação de incentivos fiscais específicos.

Por outro lado, as oportunidades crescem à medida que se avança em regulamentação, educação e parcerias estratégicas.

  • Desenvolvimento de incentivos fiscais e regulação mais clara para projetos verdes.
  • Atração de capital internacional em busca de vantagens comparativas naturais monumentais do Brasil.
  • Ampliação da bioeconomia e do mercado de carbono.
  • Parcerias público-privadas para projetos de infraestrutura sustentável.

Estamos diante de uma chance única de consolidar o Brasil como potência verde global. Por meio de políticas públicas eficazes, educação financeira e engajamento dos investidores, é possível alavancar uma economia que gera lucro com propósito social e ambiental.

Maryella Faratro

Sobre o Autor: Maryella Faratro

Maryella Faratro